quarta-feira, 17 de abril de 2019

EXERCÍCIOS DE FIGURA DE LINGUAGEM

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Exercícios sobre figuras de linguagem

I.

01. (VUNESP) No trecho: "...dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo", a figura de linguagem presente é chamada:

a) metáfora
b) hipérbole
c) hipérbato
d) anáfora
e) antítese

02. (PUC - SP) Nos trechos: "O pavão é um arco-íris de plumas" e "...de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira..." enquanto procedimento estilístico, temos, respectivamente:

a) metáfora e polissíndeto;
b) comparação e repetição;
c) metonímia e aliteração;
d) hipérbole e metáfora;
e) anáfora e metáfora.

03. (PUC - SP) Nos trechos: "...nem um dos autores nacionais ou nacionalizados de oitenta pra lá faltava nas estantes do major" e "...o essencial é achar-se as palavras que o violão pede e deseja" encontramos, respectivamente, as seguintes figuras de linguagem:

a) prosopopéia e hipérbole;
b) hipérbole e metonímia;
c) perífrase e hipérbole;
d) metonímia e eufemismo;
e) metonímia e prosopopéia.

04. (VUNESP) Na frase: "O pessoal estão exagerando, me disse ontem um camelô", encontramos a
figura de linguagem chamada:

a) silepse de pessoa
b) elipse
c) anacoluto
d) hipérbole
e) silepse de número

05. (ITA) Em qual das opções há erro de identificação das figuras?

a) "Um dia hei de ir embora / Adormecer no derradeiro sono." (eufemismo)
b) "A neblina, roçando o chão, cicia, em prece. (prosopopéia)
c) Já não são tão freqüentes os passeios noturnos na violenta Rio de Janeiro. (silepse de número)
d) "E fria, fluente, frouxa claridade / Flutua..." (aliteração)
e) "Oh sonora audição colorida do aroma." (sinestesia)

06. (UM - SP) Indique a alternativa em que haja uma concordância realizada por silepse:

a) Os irmãos de Teresa, os pais de Júlio e nós, habitantes desta pacata região, precisaremos de muita força para sobreviver.
b) Poderão existir inúmeros problemas conosco devido às opiniões dadas neste relatório.
c) Os adultos somos bem mais prudentes que os jovens no combate às dificuldades.
d) Dar-lhe-emos novas oportunidades de trabalho para que você obtenha resultados mais satisfatórios.
e) Haveremos de conseguir os medicamentos necessários para a cura desse vírus insubordinável a qualquer tratamento.


07. (FEI) Assinalar a alternativa correta, correspondente à figuras de linguagem, presentes nos fragmentos abaixo:

I. "Não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste."

II. "A moral legisla para o homem; o direito para o cidadão."

III. "A maioria concordava nos pontos essenciais; nos pormenores porém, discordavam."

IV. "Isaac a vinte passos, divisando o vulto de um, pára, ergues a mão em viseira, firma os olhos."

a) anacoluto, hipérbato, hipálage, pleonasmo;
b) hipérbato, zeugma, silepse, assíndeto;
c) anáfora, polissíndeto, elipse, hipérbato;
d) pleonasmo, anacoluto, catacrese, eufemismo;
e) hipálage, silepse, polissíndeto, zeugma.

08. (FEBA - SP) Assinale a alternativa em que ocorre aliteração:

a) "Água de fonte .......... água de oceano ............. água de pranto. (Manuel Bandeira)
b) "A gente almoça e se coça e se roça e só se vicia." (Chico Buarque)
c) "Ouço o tique-taque do relógio: apresso-me então." (Clarice Lispector)
d) "Minha vida é uma colcha de retalhos, todos da mesma cor." (Mário Quintana)
e) N.d.a.

09. (CESGRANRIO) Na frase "O fio da idéia cresceu, engrossou e partiu-se" ocorre processo de gradação. Não há gradação em:

a) O carro arrancou, ganhou velocidade e capotou.
b) O avião decolou, ganhou altura e caiu.
c) O balão inflou, começou a subir e apagou.
d) A inspiração surgiu, tomou conta de sua mente e frustrou-se.
e) João pegou de um livro, ouviu um disco e saiu.

10. (FATEC) "Seus óculos eram imperiosos." Assinale a alternativa em que aparece a mesma figura de linguagem que há na frase acima:

a) "As cidades vinham surgindo na ponte dos nomes."
b) "Nasci na sala do 3° ano."
c) "O bonde passa cheio de pernas."
d) "O meu amor, paralisado, pula."
e) "Não serei o poeta de um mundo caduco."

II.

Exercício 1: No enunciado: “Virgílio, traga-me uma coca cola bem gelada!”, registra-se uma figura de linguagem denominada:

A) anáfora
B) personificação
C) antítese
D) catacrese
E) metonímia

Exercício 2: (FMU) Quando você afirma que enterrou “no dedo um alfinete”, que embarcou “no trem” e que serrou “os pés da mesa”, recorre a um tipo de figura de linguagem denominada:

A) metonímia
B) antítese
C) paródia
D) alegoria
E) catacrese

Exercício 3: (U. Taubaté) No sintagma: “Uma palavra branca e fria”, encontramos a figura denominada:

A) sinestesia
B) eufemismo
C) onomatopéia
D) antonomásia
E) catacrese

Exercício 4: (FAU-Santos) Nos versos: “Bomba atômica que aterra
Pomba atônita da paz
Pomba tonta, bomba atômica…”

A repetição de determinados elemento fônicos é um recurso estilístico denominado:

A) hiperbibasmo
B) sinédoque
C) metonímia
D) aliteração
E) metáfora

Exercício 5: (Maringá) Leia os versos e depois assinale a alternativa correta:

“Amo do nauta o doloroso grito
Em frágil prancha sobre o mar de horrores,
Porque meu seio se tornou pedra,
Porque minh’alma descorou de dores.” (Fagundes Varela)

No primeiro verso, há uma figura que se traduz por:

A) pleonasmo
B) hipérbato
C) gradação
D) anacoluto
E) anáfora

Exercício 6: (Cesesp – PE) Leia atentamente os períodos:

1.Vários de nós ficamos surpresos.
2.Essa gente está furiosa e com medo; por consequência, capazes de tudo.
3.Tua mãe, não há idade nem desgraça que lhe transforme o sorriso.
4.Entre elas, alguém estava envergonhada.
Os períodos aça contêm, respectiva e sucessivamente, as seguintes figuras de sintaxe:

A) Silepse de pessoa, silepse de gênero, anacoluto, silepse de número.
B) Anacoluto, anacoluto, anacoluto, silepse de número.
C) Silepse de número, silepse de pessoa, anacoluto, anacoluto.
D) Silepse de pessoa, silepse de número, anacoluto, silepse de gênero.
E) Silepse de pessoa, anacoluto, silepse de gênero, anacoluto.

Exercício 7: (Inatel) Reconheça e classifique as figuras de palavras, de construção e de pensamento:

( ) “Quando uma lousa cai sobre um cadáver mudo”.
( ) “Terrível hemorragia de sangue”.
( ) “Das idades através”.
( ) “Oxalá tenham razão”.
( ) “Trejeita, e canta, e ri nervosamente”.

•(1) Polissíndeto
•(2) Hipérbato
•(3) Epíteto
•(4) Pleonasmo
•(5) Elipse
A sequência que corresponde à resposta correta é:

A) 4,3,5,2,1
B) 3,4,2,1,5
C) 3,4,2,5,1
D) 3,4,5,2,1
E) 1,3,2,5,4

Exercício 8: (Cescea) Identifique os recursos estilísticos empregados no texto:

“Nem tudo tinham os antigos, nem tudo temos, os modernos”. (Machado de Assis)

A) anáfora – antítese – silepse
B) metáfora – antítese – elipse
C) anástrofe – antítese – zeugma
D) pleonasmo – antítese – silepse
E) anástrofe – comparação – parábola

Exercício 9: (Mack) Nos versos abaixo, uma figura se ergue graças co conflito de duas visões antagônicas:

“Saio do hotel com quatro olhos,
- Dois do presente,
- Dois do passado.”

Esta figura de linguagem recebe o nome de:

A) metonímia
B) catacrese
C) hipérbole
D) antítese
E) hipérbato

Exercício 10: (FUVEST) Identifique a figura de linguagem empregada nos versos destacados:

“No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!”

A) antítese
B) anacoluto
C) hipérbole
D) litotes
E) paragoge

Exercício 11: (FUVEST) A figura de linguagem empregada nos versos em destaque é:

“Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável)
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!”

A) clímax
B) eufemismo
C) sínquise
D) catacrese
E) pleonasmo

Exercício 12: Em cada um dos períodos abaixo ocorre uma silepse. Marque a alternativa que classifica corretamente cada uma delas.

1.“Está uma pessoa ouvindo missa, meia-hora o cansa e atormenta e faz romper em murmurações”.
2.“E todos assim nos distraímos nesses preparativos”. (Aníbal Machado)
3.“A multidão vai subindo, subiram, subiram mais”. (Murilo Mendes)

A) silepse de gênero, silepse de número, silepse de número.
B) silepse de pessoa, silepse de número, silepse de pessoa.
C) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de pessoa.
D) silepse de gênero, silepse de pessoa, silepse de número.
E) silepse de número, silepse de pessoa, silepse de gênero.

Nos exercícios de número 1 a 20, faça a associação de acordo com o seguinte código:

a) elipse g) anacoluto
b) zeugma h) silepse de gênero
c) pleonasmo i) silepse de número
d) polissíndeto j) silepse de pessoa
e) assíndeto l) anáfora
f) hipérbato m) anástrofe

1. ( ) “Dizem que os cariocas somos pouco dados aos jardins públicos.”(Machado de Assis)
2. ( ) “Aquela mina de ouro, ele não ia deixar que outras espertas botassem as mãos.” (José Lins do Rego)
3) ( ) “Este prefácio, apesar de interessante, inútil.” (Mário Andrade)
4. ( ) “Era véspera de Natal, as horas passavam, ele devia de querer estar ao lado de lá-Dijina, em sua casa deles dois, da outra banda, na Lapa-Laje.” (Guimarães Rosa)
5. ( ) “Em volta: leões deitados, pombas voando, ramalhetes de flores com laços de fitas, o Zé-Povinho de chapéu erguido.”
(Aníbal Machado)
6. ( ) “Sob os tetos abatidos e entre os esteios fumegantes, deslizavam melhor, a salvo, ou tinham mais invioláveis esconderijos, os sertanejos emboscados. “ (Euclides da Cunha)
7. ( ) V. Exa. está cansado?
8. ( ) “Caça, ninguém não pegava... (Mário de Andrade)
9. ( ) “Mas, me escute, a gente vamos chegar lá.”(Guimarães Rosa)
10. ( ) “Grande parte, porém, dos membros daquela assembléia estavam longe destas idéias.”(Alexandre Herculano)
11. ( ) “E brinquei, e dancei e fui
Vestido de rei....”(Chico Buarque)
12. ( ) “Wilfredo foge. O horror vai com ele, inclemente. Foge, corre, e vacila, e tropeça e resvala, E levanta-se, e foge alucinadamente....”(Olavo Bilac)
13. ( ) “Agachou-se, atiçou o fogo, apanhou uma brasa com a colher, acendeu o cachimbo, pôs-se a chupar o canudo do taquari cheio de sarro.” (Graciliano Ramos)
14. ( ) “Tão bom se ela estivesse viva me ver assim.”
(Antônio Olavo Pereira)
15. ( ) “Coisa curiosa é gente velha. Como comem!” (Aníbal Machado)
16. ( ) “Sonhei que estava sonhando um sonho sonhado.”(Martinho da Vila)
17. ( ) “Rubião fez um gesto. Palha outro; mas quão diferentes.”( Machado de Assis)
18. ( ) “Estava certo de que nunca jamais ninguém saberia do meu crime.” (Aurélio Buarque de Holanda)
19. ( ) “Fulgem as velhas almas namoradas....
- Almas tristes, severas, resignadas,
De guerreiros, de santos, de poetas. “
(Camilo Pessanha)
20. ( ) “Muita gente anda no mundo sem saber pra quê: vivem porque vêem os outros viverem.”
(J. Simões Lopes Neto)


Figuras de linguagem - teoria

Figuras de estilo ou de linguagem

As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.

As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não- denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.

As figuras de linguagem classificam-se em:

a) figuras de palavra;
b) figuras de harmonia;
c) figuras de pensamento;
d) figuras de construção ou sintaxe.

FIGURAS DE PALAVRA

As figuras de palavra são figuras de linguagem que consistem no emprego de um termo com sentido diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conseguir um efeito mais expressivo na comunicação.

Comparação: Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explícitos - feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem - e alguns verbos - parecer, assemelhar-se e outros.

Exemplos: "Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico."

Metáfora: Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma relação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metáfora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em que o conectivo não está expresso, mas subentendido.

Exemplo: "Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrairpérolas, que é a razão."

Metonímia: Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra, havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa relação objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:

a causa pelo efeito e vice-versa:

"E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento."
Com trabalho.

o lugar de origem ou de produção pelo produto:

Comprei uma garrafa do legítimo porto.
O vinho da cidade do Porto.
o autor pela obra:
Ela parecia ler Jorge Amado.
A obra de Jorge Amado.

o abstrato pelo concreto e vice-versa:

Não devemos contar com o seu coração.
Sentimento, sensibilidade.

Sinédoque: Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, havendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:

o todo pela parte e vice-versa:

"A cidade inteira viu assombrada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos de seu cavalo."

o singular pelo plural e vice-versa:

O paulista é tímido; o carioca , atrevido.

o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum):
Para os artistas ele foi um mecenas.

Modernamente, a metonímia engloba a sinédoque.

Catacrese: A catacrese é um tipo de especial de metáfora, "é uma espécie de metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inovação, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito lingüístico, já fora do âmbito estilístico." (Othon M. Garcia)

Exemplos: folhas de livro, pele de tomate, dente de alho, montar em burro, céu da boca, cabeça de prego,mão de direção, ventre da terra, asa da xícara, sacar dinheiro no banco.

Sinestesia: A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão, olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).

Exemplo: "A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia[sensações táteis], quase irreal." (Augusto Meyer)

Antonomásia: Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma qualidade, característica ou fato que a distingue.
Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcunha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.) do nome próprio.

Exemplos:
"E ao rabi simples1, que a igualdade prega,
Rasga e enlameia a túnica inconsútil;
1 Cristo
Pelé (= Edson Arantes do Nascimento)
O poeta dos escravos (= Castro Alves)
O Dante Negro (= Cruz e Souza)
O Corso (= Napoleão)

Alegoria: A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que não lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos - um referencial e outro metafórico.

Exemplo: "A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos, muitos bailados, e a orquestra é excelente... (Machado de Assis)

FIGURAS DE HARMONIA

Chamam-se figuras de som ou de harmonia os efeitos produzidos na linguagem quando há repetição de sons ou, ainda, quando se procura "imitar"sons produzidos por coisas ou seres.

Aliteração: Ocorre aliteração quando há repetição da mesma consoante ou de consoantes similares, geralmente em posição inicial da palavra.

Exemplo: "Toda gente homenageia Januária na janela."

Assonância: Ocorre assonância quando há repetição da mesma vogal ao longo de um verso ou poema.

Exemplo: "Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam."

Paronomásia: Ocorre paronomásia quando há reprodução de sons semelhantes em palavras de significados diferentes.

Exemplo: "Berro pelo aterro pelo desterro
berro por seu berro pelo seu erro
quero que você ganhe que você me apanhe
sou o seu bezerro gritando mamãe."

Onomatopéia: Ocorre quando uma palavra ou conjunto de palavras imita um ruído ou som.

Exemplo: "O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe, das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvvv... passou."

FIGURAS DE PENSAMENTO

As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico.

Antítese: Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.

Exemplo: "Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nosbem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa)

Apóstrofe: Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ou imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao vocativo na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão.

Exemplo: "Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes?" (Castro Alves)

Paradoxo: Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido oposto, mas também na de idéias que se contradizem referindo-se ao mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira. Oxímoro (ou oximoron) é outra designação para paradoxo.

Exemplo: "Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;" (Camões)

Eufemismo: Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante.

Exemplo: "E pela paz derradeira1 que enfim vai nos redimir Deus lhe pague" (Chico Buarque)
paz derradeira: morte

Gradação: Ocorre gradação quando há uma seqüência de palavras que intensificam uma mesma idéia.

Exemplo: "Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo." (Castro Alves)

Hipérbole: Ocorre hipérbole quando há exagero de uma idéia, a fim de proporcionar uma imagem emocionante e de impacto.

Exemplo: "Rios te correrão dos olhos, se chorares!" (Olavo Bilac)

Ironia: Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica.

Exemplo: "Moça linda, bem tratada,
três séculos de família,
burra como uma porta:
um amor." (Mário de Andrade)

Prosopopéia: Ocorre prosopopéia (ou animização ou personificação) quando se atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de seres animados a seres inanimados ou imaginários.
Também a atribuição de características humanas a seres animados constitui prosopopéia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, como este exemplo de Mário de Quintana: "O peixinho (...) silencioso e levemente melancólico..."

Exemplos: "... os rios vão carregando as queixas do caminho." (Raul Bopp)
" Um frio inteligente (...) percorria o jardim..." (Clarice Lispector)

Perífrase: Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expressar algum objeto, acidente geográfico ou situação que não se quer nomear.

Exemplo: "Cidade maravilhosa
Cheia de encantos mil
Cidade maravilhosa
Coração do meu Brasil." (André Filho)

FIGURAS DE SINTAXE

As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis repetições ou omissões.

Assíndeto: Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por vírgulas.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência das pausas rítmicas (vírgulas).

Exemplo: "Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)

Elipse: Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supressão de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso recurso de concisão e dinamismo.

Exemplo: "Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas."
1 Elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias...)

Zeugma: Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, ficando subentendida sua repetição.

Exemplo: "Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Felipes." 1
1 Zeugma do verbo: "e foram assassinados..."

Anáfora: Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início de um período, frase ou verso.

Exemplo: "Depois o areal extenso...
Depois o oceano de pó...
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só..." (Castro Alves)

Pleonasmo: Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma idéia, isto é, redundância de significado.

a) Pleonasmo literário: É o uso de palavras redundantes para reforçar uma idéia, tanto do ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem.

Exemplo: "Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quando em visão com os da saudade via." (Alberto de Oliveira)

"Ó mar salgado, quando do teu sal
São lágrimas de Portugal" (Fernando Pessoa)

b) Pleonasmo vicioso: É o desdobramento de idéias que já estavam implícitas em palavras anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois não têm valor de reforço de uma idéia, sendo apenas fruto do descobrimento do sentido real das palavras.

Exemplos: subir para cima, entrar para dentro, repetir de novo, ouvir com os ouvidos, hemorragia de sangue, monopólio exclusivo, breve alocução, principal protagonista

Polissíndeto: Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical ( geralmente a conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou vertiginosos.

Exemplo: "Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza." (Manuel Bandeira)

Anástrofe: Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizinhas (determinante / determinado).

Exemplo: "Tão leve estou 1 que nem sombra tenho." (Mário Quintana)
1 Estou tão leve...

Hipérbato: Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da frase.
Exemplo: "Passeiam à tarde, as belas na Avenida. " 1 (Carlos Drummond de Andrade)
1 As belas passeiam na Avenida à tarde.

Sínquise: Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes da frase. É um hipérbato exagerado.
Exemplo: "A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1 (Camões)
1 A grita da gente se alevanta ao Céu.

Hipálage: Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qualidade que pertence a uma objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Exemplo: "... as lojas loquazes dos barbeiros." 2 (Eça de Queiros)
2 ... as lojas dos barbeiros loquazes.

Anacoluto: Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que se inicia a frase, alterando-lhe a seqüência lógica. A construção do período deixa um ou mais termos - que não apresentam função sintática definida - desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensível.

Exemplo: "Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas." (Alcântara Machado)

Silepse: Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras, mas com a idéia a elas associada.

a) Silepse de gênero: Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (feminino ou masculino).
Exemplo: "Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa)

b) Silepse de número: Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (singular ou plural).
Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto)

c) Silepse de pessoa: Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado.
Exemplo: "Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis)

Autoria: Norberto Gonçalves


Slides sobre características formais dos textos literários e exemplos diversos de figuras de linguagem

Características formais da linguagem dos textos literários:

texto em verso X texto em prosa

Poema ou poesia

Métrica – medida dos versos segundo o número de sílabas poéticas; a separação das sílabas poéticas se chama escansão.

Comparemos:

Divisão silábica gramatical

Mi-nha-des-gra-ça,-ó-cân-di-da-don-ze-la,
(12)
O-que-faz-que-o-meu-pei-to-as-sim-blas-fe-ma
(13)

Mi-nha-des-gra-ça, ó-cân-di-da-don-ze-la,
(10)
O-que-faz-que o-meu-pei-to as-sim-blas-fe-ma
(10)

Versos de métrica idêntica são chamados regulares, caso contrário, são chamados de livres.

Rima efeito baseado na semelhança sonora de palavras no final ou no interior do verso (externa ou interna):

Intercaladas (ABBA); Alternadas (ABAB); Emparelhadas (AABB)

Há de se considerar também o ritmo, que se constrói em virtude da posição de sílabas tônicas nos versos do poema.

Figuras de linguagem

As figuras de linguagem ou de estilo são empregadas para valorizar o texto, tornando a linguagem mais expressiva. É um recurso lingüístico para expressar experiências comuns de formas diferentes, conferindo originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.

As figuras revelam muito da sensibilidade de quem as produz, traduzindo particularidades estilísticas do autor. A palavra empregada em sentido figurado, não- denotativo, passa a pertencer a outro campo de significação, mais amplo e criativo.

As figuras de linguagem classificam-se em:

a) figuras de palavra;
b) figuras de harmonia;
c) figuras de pensamento;
d) figuras de construção ou sintaxe.

Figuras de palavra

a) comparação     
b) metáfora           
c) metonímia         
d) catacrese
e) sinestesia
f) antonomásia

(A) Comparação


"Amou daquela vez como se fosse máquina.
Beijou sua mulher como se fosse lógico.”

Vida vem em ondas como o mar.

Meu coração está igual a um céu cinzento.

(B) Metáfora

"Meu pensamento é um rio subterrâneo." (Fernando Pessoa)

Seus olhos são luzes brilhantes.

Ele é um anjo.

Ela é uma flor.

(C) Metonímia

1 - Autor pela obra: Gosto de ler Machado de Assis.
(= Gosto de ler a obra literária de Machado de Assis.)

2 - Inventor pelo invento: Édson ilumina o mundo.
(= As lâmpadas iluminam o mundo.)

3 - Símbolo pelo objeto simbolizado: Não te afastes da cruz.
(= Não te afastes da religião.)

4 - Lugar pelo produto do lugar: Fumei um saboroso havana.
(= Fumei um saboroso charuto.)

5 - Efeito pela causa: Sócrates bebeu a  morte.
(= Sócrates tomou veneno.)

6 - Causa pelo efeito: Moro no campo e como do meu trabalho.
(= Moro no campo e como o alimento que produzo.)

7 - Continente pelo conteúdo: Bebeu o cálice todo.
(= Bebeu todo o líquido que estava no cálice.)

8 - Instrumento pela pessoa que utiliza: Os microfones foram atrás dos jogadores.
(= Os repórtere sforam atrás dos jogadores.)

9 - Parte pelo todo: Várias pernas passavam apressadamente.
(= Várias pessoas passavam apressadamente.)

10 -  Gênero pela espécie: Os mortais pensam e sofrem nesse mundo.
(= Os homens pensam e sofrem nesse mundo.)

11 -  Singular pelo plural: A mulher foi chamada para ir às ruas na luta por seus direitos.
(= As mulheres foram chamadas, não apenas uma mulher.)

12 - Marca pelo produto: Minha filha adora danone.
(= Minha filha adora o iogurte que é da marca danone.)

13 - Espécie pelo indivíduo: O homem foi à Lua.
(= Alguns astronautas foram à Lua.)

14 - Símbolo pela coisa simbolizada: A balança penderá para teu lado.
(= A justiça ficará do teu lado.)

D) Catacrese

folhas de livro, pele de tomate, dente de alho, montar em burro, céu da boca, cabeça de prego,mão de direção, ventre da terra, asa da xícara, sacar dinheiro no banco.

(E) sinestesia

"A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia[sensações táteis], quase irreal."   (Augusto Meyer)

Um grito áspero revelava tudo o que sentia. (grito = auditivo; áspero = tátil) No silêncio escuro do seu quarto, aguardava os acontecimentos. (silêncio = auditivo; negro = visual)

(F) Antonomásia

A Cidade Maravilhosa recebe muitos turistas durante o carnaval.
O Rei das Selvas está bravo.
A Dama do Suspense escreveu livros ótimos.
O Mestre do Suspense dirigiu grandes clássicos do cinema.

OBS: Quando referido a lugares ou animais, chama-se perífrase.

Figuras de som ou de harmonia

a) aliteração            
b) assonância
c) paronomásia
d) onomatopéia

(A) Aliteração

“Auriverde pendão de minha terra
que a brisa do Brasil beija e balança” (C. Alves)

“O rato roeu a roupa do rei de Roma”

“Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva,
Marcada a frio, ferro e fogo em carne viva.
Quero ficar feito cruz nas tuas costas,
Que te retalha em postas,
Mas no fundo gostas quando a noite vem” (Chico)

Três pratos de trigo para três tigres tristes.

O rato roeu a roupa do rei de Roma.

Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.

“Esperando, parada, pregada na pedra do porto.”

"Toda gente homenageia Januária na janela."

(B) Assonância

“Sou um mulato nato no sentido lato” (C. Veloso)

"Sou Ana, da cama
da cana, fulana, bacana
Sou Ana de Amsterdam."

(C) Paronomásia

“Trocando em miúdos, podes guardar
As sobras de tudo que chamam lar
As sombras de tudo que fomos nós”

(D) Onomatopeia

Com o au-au dos cachorros, os gatos desapareceram.

Miau-miau. – Eram os gatos miando no telhado a noite toda.

Os sinos faziam blem, blem, blem, blem.
Tic-tac, tic-tac fazia o relógio da sala de jantar.
Cócórócócó, fez o galo às seis da manhã.

"O silêncio fresco despenca das árvores.
Veio de longe, das planícies altas,
Dos cerrados onde o guaxe passe rápido...
Vvvvvvvv... passou."

Figuras de pensamento

a) antítese   
b) eufemismo     
c) ironia           
d) apóstrofe    
e) gradação      
f) prosopopéia  
g) paradoxo
h) hipérbole

(a) antítese

"Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nosbem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal." (Rui Barbosa)

Ela se preocupa tanto com o passado que esquece o presente.
A guerra não leva a nada, devemos buscar a paz.

(b) eufemismo 
  
E pela paz derradeira1 que enfim vai nos redimir Deus lhe pague"

Depois de muito sofrimento, entregou a alma ao Senhor. (= morreu)
O prefeito ficou rico por meios ilícitos. (= roubou)
Fernando faltou com a verdade. (= mentiu)

Aquele rapaz não é legal, ele subtraiu dinheiro.
Acho que não fui feliz nos exames.

(c) ironia           

Que homem lindo! (quando se trata, na verdade, de um homem feio.)

Como você escreve bem, meu vizinho de 5 anos teria feito uma redação melhor!

Que bolsa barata, custou só mil reais!

Que alunos inteligentes, não sabem nem somar.

Se você gritar mais alto, eu agradeço.

“A excelente Dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças.”

Como você foi bem na última prova, não tirou nem a nota mínima! Parece um anjinho aquele menino, briga com todos que estão por perto.

"Moça linda, bem tratada,
três séculos de família,
burra como uma porta:
um amor." (Mário de Andrade)

(d) apóstrofe

Moça, que fazes aí parada?

"Pai Nosso, que estais no céu..."
"Liberdade, Liberdade,
Abre as asas sobre nós,
Das lutas, na tempestade,
Dá que ouçamos tua voz..." (Osório Duque Estrada)

(e) gradação      

"Aqui... além... mais longe por onde eu movo o passo." (Castro Alves)

"Vive só para mim, só para a minha vida, só para meu amor". (Olavo Bilac)
"O trigo... nasceu, cresceu, espigou, amadureceu, colheu-se." (Padre Antônio Vieira)

“Um coração chagado de desejos
Latejando, batendo, restrugindo.”

(f) prosopopéia  

O jardim olhava as crianças sem dizer nada.

O céu está mostrando sua face mais bela.

O cão mostrou grande sisudez.

A formiga disse para a cigarra: ” Cantou…agora dança!”

As pedras andam vagarosamente.
O livro é um mudo que fala, um surdo que ouve, um cego que guia.
A floresta gesticulava nervosamente diante da serra.
O vento fazia promessas suaves a quem o escutasse.
Chora, violão.

(g) paradoxo

Na reunião, o funcionário afirmou que o operário quanto mais trabalha mais tem dificuldades econômicas.

"Amor é fogo que arde sem se ver;
ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;" (Camões)

(h) hipérbole

Faria isso milhões de vezes se fosse preciso.

"Rios te correrão dos olhos, se chorares." (Olavo Bilac)

Muitas pessoas morriam de medo da perna cabeluda.

FIGURAS DE SINTAXE

(a) assíndeto
(b) anáfora
(c) inversão
(d) elipse
(e) zeugma
(f) anacoluto
(g) pleonasmo
(h) polissíndeto
(i) silepse

(a) assíndeto

"Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se." (Machado de Assis)

Tens casa, tens roupa, tens amor, tens família.

"Vim, vi, venci." (Júlio César)

Chegamos de viagem, tomamos banho, depois saímos para dançar.

(b) anáfora

“ Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer”

Cada alma é uma escada para Deus,
Cada alma é um corredor-Universo para Deus,
Cada alma é um rio correndo por margens de Externo
Para Deus e em Deus com um sussurro noturno. (Fernando Pessoa)

"Se você gritasse
Se você gemesse,
Se você tocasse
a valsa vienense
Se você dormisse,
Se você cansasse,
Se você morresse...
Mas você não morre,
Você é duro José!"

(c) inversão

Tão leve estou que nem sombra tenho." (Mário Quintana)

"A grita se alevanta ao Céu, da gente. " 1  (Camões)
1 A grita da gente se alevanta ao Céu.

Ao ódio venceu o amor. (Na ordem direta seria: O amor venceu ao ódio.) Dos meus problemas cuido eu! (Na ordem direta seria: Eu cuido dos meus problemas.)

Correm pelo parque as crianças da rua.

Na escada subiu o pintor.

(d) elipse - (e) zeugma

“Na sala, apenas quatro ou cinco convidados.”

Após a queda, nenhuma fratura.

Ele come carne, eu verduras.

Ele prefere cinema; eu, teatro.

A cada um o que é seu. (Deve-se dar a cada um o que é seu.)

Tenho duas filhas, um filho e amo todos da mesma maneira.

Nesse exemplo, as desinências verbais de tenho e amo permitem-nos a identificação do
sujeito em elipse "eu".
Regina estava atrasada. Preferiu ir direto para o trabalho. (Ela, Regina, preferiu ir direto para o trabalho, pois estava atrasada.)

Ele gosta de geografia; eu, de português.
Na casa dela só havia móveis antigos; na minha, só móveis modernos.
Ela gosta de natação; eu, de vôlei.
No céu há estrelas; na terra, você.

(f) anacoluto

A vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa.

Ele, nada podia assustá-lo.

Dois gatinhos miando no muro, conversávamos sobre como é complicada a vida dos animais.
Novas espécies de tubarão no Japão, pensava em como é misteriosa a natureza.

Esses alunos da escola, não se pode duvidar deles.

O Alexandre, as coisas não lhe estão indo muito bem.

A velha hipocrisia, recordo-me dela com vergonha. (Camilo Castelo Branco)

(g) pleonasmo                   

“E rir meu riso e derramar meu pranto.”

Nós cantamos um canto glorioso.

“Vi com meus próprios olhos.”

Aos funcionários, não lhes interessam tais medidas.
Aos funcionários, lhes = Objeto Indireto

Nesse caso, há um pleonasmo do objeto indireto, e o pronome "lhes" exerce a função de objeto indireto pleonástico.

Viciosos:

subir para cima, entrar para dentro, repetir de novo, ouvir com os ouvidos, hemorragia de sangue, monopólio exclusivo, breve alocução, principal protagonista

(h) polissíndeto

"Vão chegando as burguesinhas pobres,
e as criadas das burguesinhas ricas
e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redondeza."
(Manuel Bandeira)
"Falta-lhe o solo aos pés: recua e corre, vacila e grita,
luta e ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça, e morre."
(Olavo Bilac)
"Deus criou o sol e a lua e as estrelas. E fez o homem e deu-lhe inteligência e fê-lo chefe da natureza.

“ E sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito (...)”

(i) silepse
                          • De gênero

Vossa Excelência está preocupado.
"Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito." (Guimarães Rosa)

• De número

Os Lusíadas glorificou nossa literatura.
Corria gente de todos lados, e gritavam." (Mário Barreto)

• De pessoa

“O que me parece inexplicável é que os brasileiros persistamos em comer essa coisinha verde e mole que se derrete na boca.”
"Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas." (Machado de Assis)

tOPICALIZAÇÃO x ANACOLUTO

VAMOS ESTUDAR?

Topicalização...

Boa tarde, pessoal!

Bom, vou retomar um tema que já havia mencionado em algum artigo anterior.



Esta propaganda do governo federal apresenta, conforme foi dito antes, duplo sentido:

a) “Crack, é possível vencê-lo” ou “Crack, é possível vencer ele”, ou seja, como se “Crack” fosse um complemento do verbo vencer, daí poderíamos reescrever esse termo como “É possível vencer o Crack”;

b) “Crack, é possível vencer” (na vida, sem usar a droga etc.), ou seja, o verbo “vencer” seria intransitivo e o que fosse colocado após ele seria adjunto adverbial.

Existe uma situação no Brasil que foge à regra de que a sintaxe correta do português é “Sujeito-Predicado”, chamada “Topicalização” ou “Estrutura Tópico-comentário”.

Consiste em destacar uma palavra, separando-a ou não com vírgula à esquerda, e construindo-se a oração com predicado. Observe:

1) O relógio, o ponteiro quebrou;
2) O Brasil, ele saiu da crise;
3) O rato, o gato comeu;
4) O carro furou o pneu.

Vejam que todas as orações acima foram construídas em forma de tópicos (“o assunto principal”) e o que aparece depois é chamado de comentário. Há possibilidade de se realizar essa construção com outros termos da oração, como, por exemplo, adjuntos adverbiais (Faço esse trajeto constantemente. / Constantemente, faço esse trajeto).

No trecho “Crack, é possível vencer”, a primeira palavra está em forma de tópico e o que aparece depois é, pois, o comentário. Dessa forma, numa primeira leitura, não percebemos essa ambiguidade, porém, refletindo-se sobre essa particularidade, é possível perceber essa característica. Com isso, podemos afirmar que há, pelo menos, duas formas de se construir esse tipo de oração no Português Brasileiro.

Agora, observem esta outra propaganda:



Nessa divertida e criativa propaganda, ao final, diz-se a seguinte oração:

A CADA UM MINUTO, QUATRO COISAS VENDEM

Bom, a princípio, essa frase não apresenta problema, pois o sentido expresso por ela está claro e o objetivo comunicativo foi alcançado. Porém, ao utilizarmos a teoria anteriormente citada sobre “Topicalização”, observamos características que são parecidas, ou seja, um tópico inicial separado por vírgula e um comentário depois.

No entanto, percebemos que a topicalização acontece, geralmente, quando se desloca o sujeito, ou seja, essa oração deveria estar topicalizada assim: “Quatro coisas, vendem a cada um minuto”, ou “Quatro coisas, a cada minuto vendem”. Verificamos, então, que na oração usada na propaganda, o que está topicalizado é o adjunto adverbial de tempo (a cada um minuto).

Poderíamos, assim, reescrever esse termo de duas formas diferentes, utilizando-nos da chamada “Voz Passiva”, ou seja:

a) A cada um minuto, quatro coisas são vendidas (formando voz passiva analítica), ou;

b) A cada um minuto, vendem-se quatro coisas (formando voz passiva sintética).

Daí vocês se perguntam e me perguntam: por que isso não foi feito? Primeiramente, porque se trata de linguagem publicitária, que exige uma rapidez e uma objetividade típicas desse tipo de gênero. Em segundo lugar, porque, sonoramente, não ficaria tão interessante cantar essa oração da forma como fiz anteriormente. Experimente fazer isso... De fato, não soaria da mesma forma.

Enfim, nossa conclusão é a de que a linguagem é como nossa roupa: utilizamo-la de formas diferentes, dependendo do objetivo a ser alcançado, ou do contexto no qual nos encontramos. 

O Português Brasileiro, não é difícil aprender!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

100 Mitos da Linguagem. In.: Revista Língua Portuguesa. Ano 9. Número 100 São Paulo: Editora Segmento, fev 2014, p. 32.

PERINI, M. Gramática Descritiva do Português. 4. ed. 11.  impr. São Paulo: Editora Ática, 2007. 
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GÊNERO TEXTUAL 1 – CARTA PESSOAL

TEXTO 1 

Amizade que termina por causa de política era amizade mesmo? O ditado “política não se discute” deve ser um dos principais responsáveis por a gente estar tão próximo do centro da Terra quando o assunto é buraco. Talvez o problema seja o que a gente acabou chamando de “discutir política”. Se a primeira imagem que vem à sua cabeça enquanto lê isso é baixaria entre pessoas de opiniões divergentes, talvez a solução seja discutir mais coisas fora a prisão do Lula ou a impunidade de Aécio Neves com as pessoas próximas. E vai ser fácil, porque, desde quando nos organizamos em sociedades e desencanamos de andar por aí caçando a própria comida, todos os nossos gestos acabam sendo gestos políticos. Quando você escolhe ir para o trabalho de carro, bicicleta ou transporte público, não importando a sua preferência, está fazendo um gesto político. Quando decide o nome do seu filho, o time de futebol, a cor da parede da casa, o canal onde vai assistir ao telejornal ou o tipo de comida que vai comprar, você está incansavelmente mexendo com política. Já aconteceu com todo mundo: seu amigo manifesta uma opinião sobre partidos ou políticas públicas na Internet, e você entra em uma espiral de choque, decepção, repugnância e tristeza por pensar exatamente o oposto do que ele com tanta paixão. Sabe por quê? Você não está sabendo observar e escutar esse amigo. Todos os dias, ele te dá pistas concretas de que ele é tudo isso aí que você leu no Face dele mesmo. Talvez você não tenha reparado antes nos tipos de piadas que ele prefere, na forma como ele lida com a família, na religião ou no ateísmo dele, mas estava lá o tempo todo. Em uma situação assim, ninguém foi enganado. Só faltou conversa. Falta o tempo todo. Discutir política não é falar sobre o seu candidato a cada dois anos, quando convocam eleições. Discutir política é perguntar para o seu camarada por que ele escolheu a vida que escolheu, como se cercou das pessoas que se cercou, [...] por que ele acha que o seu corte de cabelo ficou uma merda [...]. Conte você, melhor, sobre suas escolhas também. Com base nas respostas, você pode acabar se surpreendendo a respeito da quantidade de amizades que deseja realmente manter. Sendo otimista, também pode acabar encontrando outras onde achava que não existiam. O fato é que suas amizades também são gestos políticos — e você pode acabar se dando conta disso em momentos inoportunos. Faz parte. [...] Texto adaptado de SAHD, L. Disponível em: . Acesso em: 13 abr. 2018. 

TEXTO 2 Amigo (Roberto Carlos) Você, meu amigo de fé, meu irmão camarada Amigo de tantos caminhos e tantas jornadas [...] Às vezes em certos momentos difíceis da vida Em que precisamos de alguém pra ajudar na saída A sua palavra de força, de fé e de carinho Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho [...] Você que me diz as verdades com frases abertas Amigo, você é o mais certo das horas incertas [...] Não preciso nem dizer tudo isso que eu lhe digo, Mas é muito bom saber que eu tenho um grande amigo. Excerto da letra disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2018.


Vestibular de Inverno 2018 – Prova 2 3 GÊNERO TEXTUAL

   CARTA PESSOAL 
Contexto de Produção: Há alguns meses, você estava com um grupo de amigos/as quando houve certo desentendimento entre você e um/a deles/as, por alguma divergência de opinião (sobre política, ou religião, ou futebol, ou filmes, ou carreiras, ou sobre qualquer outro assunto), que os/as levou a um rompimento. Sentindo falta do/a amigo/a, você resolve escrever-lhe uma carta buscando restabelecer a amizade.

Comando de Produção: Considerando o contexto de produção acima apresentado e os textos de apoio, escreva uma CARTA PESSOAL a seu/sua amigo/a com a finalidade de relatar o quanto fez falta o contato entre vocês dois/duas, de argumentar que a discussão que houve naquela ocasião poderia ter tido um rumo mais saudável e maduro e de esclarecer que refletiu sobre o ponto de vista dele/a sobre o assunto que os/as levou ao rompimento.
 Sua carta deve ter o mínimo de 10 e o máximo de 15 linhas. Assine APENAS como “Seu amigo” ou “Sua amiga”.

UEM, VESTIBULAR DE INVERNO

Documentário "Ilha das Flores"

https://www.youtube.com/watch?v=Yy5l4Y5bVDY

Liberdade de expressão: deve haver um limite para esse direito? Como seria possível estabelecer esse limite, em termos culturais, sociais e legais?

AULAS DE REDAÇÃO, COM A PROFESSORA ROSE PRADO. ON LINE E PRESENCIAL. CORREÇÕES AVULSAS. NO MEU ESCRITÓRIO OU ON LINE
 PREÇOS MARAVILHOSOS.INFORME-SE NA MINNHA PÁGINA AQUI
tps://www.facebook.com/pg/aula.de.redacao.online/reviews/?ref=page_internal



PROPOSTA PARA VESTIBULARES ESTILO UNESP
Liberdade de expressão: deve haver um limite para esse direito? Como seria possível estabelecer esse limite, em termos culturais, sociais e legais?

FATO A SER ANALISADO: A CONDENAÇÃO DE DANILO GENTILI À PRISÃO.

orientação gravada no fcb



Faz pouco tempo, li alguém que prezo dizer que liberdade de expressão é a liberdade de “falar merda”. Essa é uma ideia difundida: que a liberdade consiste em aceitar o direito de dizer mesmo aquilo que desaprovamos. Não está errado, mas o problema é que essa definição avançou tanto que veio a abranger a ideia inteira do que é a liberdade de expressão. E assim a perdeu de vista.

Qual é o eixo da liberdade de expressão? É a ideia de que, dialogando, discutindo, recusando a ideia de que haja uma verdade única, descobrimos e inventamos coisas boas. Uma delas, a democracia. Outras, os avanços tecnológicos. Tanto, valores éticos e políticos, quanto desenvolvimentos práticos podem resultar da discussão livre. Mas atenção: tudo isso supõe uma discussão com certo nível. Os lados podem se digladiar, até mesmo se desprezar, mas o fruto melhor da liberdade de expressão é melhorar o mundo.

Evidentemente, como não temos certeza do que é melhor ou mesmo do que é certo, deve-se sim admitir o discurso tolo, errado, o “falar merda” que mencionei. Mas admitir isso significa apenas reconhecer que nenhum de nós é dono da verdade. Não significa amparar como liberdade de expressão a incitação ao crime ou a pregação do ódio.

Assim é que democracias praticamente impecáveis punem como crimes, práticas que, no Brasil, alguns justificam como “liberdade de expressão”. Volta e meia, leio algum colunista de jornal dizendo que você não pode tolher ou limitar sequer a pregação de ódio, porque ela deve ser vencida no debate racional e público de ideias. Só que, enquanto esses colunistas pairam num universo platônico de ideias, quem sai vitorioso são os pregadores do ódio.

Escrevo isso sob o impacto da morte do menino de 13 anos diante de uma unidade da rede de fast-food Habib’s, em São Paulo – só que o que mais me choca não é só a sua morte, é a reação de muitos leitores de jornal dizendo que ele devia mesmo morrer, que seus pais são interesseiros que agora querem ganhar uma grana de indenização etc. O que são esses comentários, tão frequentes na esfera pública, senão a vitória acachapante do ódio sobre a compaixão, das paixões negativas sobre as positivas, da guerra civil (ainda que verbal) sobre a paz política? E uma guerra civil verbal que passa ao ato, quando por exemplo, homossexuais são atacados ou mesmo assassinados.

Vejam bem. Nos Estados Unidos, muitos Estados penalizam fortemente crimes de ódio, assim entendidos os que visam um grupo pelo que ele é (e não pelo que algum membro seu fez) – podem ser negros, judeus, homossexuais, mas é crime o discurso ou a ação contra eles. Na França, alegar que não houve o massacre de judeus é crime. Na Alemanha, a saudação nazista leva a pessoa direto para a cadeia. No começo de março, um juiz canadense que ofendeu uma moça estuprada, culpando-o pela violação que sofreu, foi destituído do cargo. E não são democracias mais sólidas que a nossa?

A liberdade de expressão inclui, claro, o direito de falar bobagem – por exemplo, alegar que toda a física está errada e o mundo foi criado em sete dias (tese que nenhum cientista cristão ou judeu sustenta…). Mas não inclui pregar o ódio. E isso porque o fruto admirável de poucos séculos de liberdade de expressão é aquela coisa dificílima chamada diálogo, que levou nossa sociedade a ir, na democracia e na qualidade de vida, bem mais longe do que qualquer outra. Então, não vamos reduzir esse eixo central da liberdade de expressão a seus aspectos secundários, nem deixemos a pregação do crime sob o seu manto.

*Renato Janine Ribeiro é professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP).
www.renatojanine.pro.br
http://filosofiacienciaevida.com.br/para-que-existe-a-liberdade-de-expressao/
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Entendo que o agravante foi o gesto espúrio, escatológico, de esfregar o processo que recebeu em seus genitais… É nojento, mas não é nenhum crime mortal.
Aplique-se uma multa.
As comissões de direitos humanos da ONU e da OEA tem capítulos inteiros dedicados justamente a sugerir que os casos relacionados à injúria, difamação, etc, sejam sempre tratados na esfera cívil, jamais na penal.
E por que?
Ora, é simples.
Para evitar que o Estado extrapole suas funções e use a brutalidade da máquina pública para aniquilar judicialmente seus desafetos.
Hoje é Danilo Gentili, humorista odiado pela esquerda. Amanhã pode ser qualquer um que tenha dito algumas palavras duras contra a família Bolsonaro.
Se juridicamente, essa condenação, seis meses em regime semi-aberto, é um absurdo, do ponto-de-vista político é uma estupidez.
A justiça política é uma ciência. Ao longo desses anos, no intuito de entender a Lava Jato e tudo que tem acontecido no Brasil, com embates cada vez mais complexos entre a justiça e a política, estudei um autor alemão chamado Otto Kirchheimer.
Kichheimer, um cientista político de esquerda, que se autoexilou nos EUA durante o nazismo, explica que a justiça política foi usada, em diversos momentos da história, tanto por aqueles que acusam como por aqueles que são acusados.
Socialistas e comunistas, por exemplo, durante muito tempo, tornaram-se especialistas em usar a seu favor os processos que o sistema de justiça burguês movia contra seus representantes: advogados especializados eram enviados pelos partidos para qualquer país ou cidade da Europa, a imprensa de esquerda era mobilizada, de maneira que os processos servissem para que os socialistas ou comunistas angariassem apoio na opinião pública e, com isso, obtivessem prestígio e votos nas eleições seguintes.
A direita também usou muito. Hitler tornou-se uma celebridade nacional quando foi preso. Escreveu seu livro na prisão, onde podia fazer reuniões políticas, e dali saiu diretamente para a liderança do movimento nazista.
Fidel Castro foi preso, após a fracassada tentativa de tomar o quartel de Moncada, e conseguiu se safar da execução sumária, pelo governo de Fulgêncio Batista, quando fez o seu famoso discurso A História me Absolverá.
Chávez também ganhou notoriedade nacional quando apareceu na TV pedindo desculpas por sua participação numa tentativa de derrubar o governo. Foi eleito poucos anos depois.
Nas eleições do ano passado, o próprio PT procurou explorar da maneira mais inteligente possível a prisão injusta e absurda de Lula, mobilizando setores da opinião pública – nacional e internacional – em favor de seus candidatos e, sobretudo, em prol do próprio Lula e de seu substituto, na corrida pela presidência da república. Não deu muito certo, embora o partido tenha conseguido alcançar objetivos importantes, como eleger uma grande bancada parlamentar, vários governadores, além de isolar seus concorrentes dentro do mesmo campo ideológico.
Da mesma maneira, a condenação de Danilo Gentili já está sendo usada em favor do humorista e do campo político que ele representa. Ele está sendo mostrado como vítima do Estado e da esquerda malvada, que por sua vez é qualificada como adepta da censura e inimiga da liberdade de expressão.
Isso é tudo de que não precisávamos agora.
A direita bolsonarista, ao invés de ter de responder à questão do emprego, da inflação, da violência urbana, agora poderá fugir de todos esses temas, para os quais não tem resposta e solução, e procurará focar na denúncia contra os “ataques” judiciais de uma parlamentar de esquerda, que goza de foro especial, à liberdade de expressão de um cidadão comum, um humorista popular e querido entre os seus.
Sim, a esquerda pode odiar Danilo Gentili, mas ele é querido e popular entre seus próprios fãs. E, com essa condenação, ele ganha ares de mártir… E mártires costumam ser muito bons de voto.
Meu posicionamento é coerente com toda a minha trajetória como blogueiro, em defesa da liberdade de expressão. Já escrevi textões em defesa de Rafinha Bastos e dos cartunistas mortos do Charlie Hebdo (texto um, dois, três e quatro).
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Justiça condena Danilo Gentili por injúria contra deputada federal
Publicado em 10/04/2019 – 21:55
Por Camila Boehm – Repórter da Agência Brasil São Paulo
A Justiça Federal condenou o humorista e apresentador Danilo Gentili a seis meses e 28 dias de detenção, em regime inicial semiaberto, pelo crime de injúria contra a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). A sentença foi proferida hoje (10) pela juíza federal Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, em uma ação proposta pela parlamentar. Gentili poderá recorrer da sentença em liberdade.
A condenação é referente ao caso ocorrido em 22 de março de 2016, quando Gentili postou mensagens em rede social que foram consideradas como nocivas à imagem, à honra, à reputação e à segurança pessoal da deputada federal. Segundo a ação, apesar de a Procuradoria Parlamentar da Câmara dos Deputados solicitar que ele removesse o conteúdo, Gentili divulgou vídeo debochando da notificação oficial.
“Na ocasião, aparece em odiosa sucessão de atos onde atribui a alcunha de ‘pu*’, expõe em tom de deboche a imagem de servidor público e de órgão da Câmara dos Deputados, surge em ato ultrajante, abrindo as calças, expondo o contato de documento oficial com suas partes íntimas”, conforme relato na ação.
Liberdade de expressão
Na decisão, a juíza ressaltou que a liberdade de expressão e de informação constitui um dos pilares essenciais do Estado de Direito, estabelecida na Constituição Federal, que igualmente garantiu a todos os cidadãos a proteção da honra e da imagem. A magistrada pontuou que, da colisão de direitos fundamentais em que alguém ultrapassa a linha da ética, surge no Estado de Direito a tutela penal como legítimo instrumento de contenção contra o uso abusivo da liberdade de expressão.
Na sentença, não foi reconhecida a alegação da defesa sobre falta de dolo em ofender a honra e a dignidade por se tratar de alegada peça humorística. “Não contente com a injúria propalada [em sua rede social], [Gentili] resolveu gravar um vídeo com conteúdo altamente ofensivo e reprovável, deixando muita clara a sua intenção de ofender”, concluiu a juíza.
“Tal postura deixou absolutamente clara a real intenção de injuriar, ou seja, a ideia de gravar o deplorável vídeo doméstico teve caráter de resposta em retaliação contra a manifestação da vítima, não devendo jamais ser confundido como uma simples peça humorística espontaneamente criada independente do intuito de injuriar”, acrescentou ela.
O processo segue para a fase de intimação da sentença. As partes podem, dentro do prazo, apelar ou não da decisão perante as Turmas Recursais do Juizado Especial Federal da 3ª Região.
A Agência Brasil solicitou posicionamento de Danilo Gentili, mas não obteve resposta até a conclusão da reportagem. Após a condenação, o humorista publicou mensagem em sua rede social ironizando a decisão: “Quem vai me levar cigarro?”.
Edição: Fábio Massalli
Publicado na Agência Brasil
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Na data de ontem foi divulgada na internet a sentença que condenouDanilo Gentili a 6 meses e 28 dias de detenção pelo crime de injúria cometido contra a deputada Maria do Rosário. A conduta entendida como típica foram postagens com este teor: “qdo alguém cuspir em você devolva com um soco que @_mariadorosario aprova”. “Cuspir nela qdo ela o chamar de estuprador tb”; “Aí ela chama o cara de estuprador toma empurrão e dá chilique. Falsa e cínica para caraleo”. “Já já @_mariadorosario aparece no rádio falando que cuspir na cara de uma mulher no nordeste é sinal de respeito. Nojenta para caraleo”.
Após essas mensagens no Twitter, a deputada Maria do Rosário enviou, por intermédio da Procuradoria da Câmara dos Deputados, uma notificação a Danilo Gentili com o pedido de que as postagens fossem apagadas. Sucedeu ao recebimento desta correspondência um vídeo no qual Danilo Gentili rasga a notificação, coloca os pedaços dentro da cueca e em seguida os põe em um envelope para ser enviado de volta à emissora. Esta conduta foi qualificada pela Juíza como “concretamente grave e altamente reprovável”. Continua, “o seu gesto ignominioso transcendeu a linha ética pelo abuso do direito que lhe foi conferido constitucionalmente, maculando, como consectário, a honra subjetiva da deputada federal Maria do Rosário”.
Ao tomar conhecimento desta sentença, imediatamente lembrei-me do filme O Povo contra Larry Flynt de 1996, do aclamado diretor de cinema Milos Forman, que conta a história do produtor-editor de uma famosa revista pornográfica estadunidense e sua epopeia judicial em nome da defesa do direito constitucional à livre expressão do pensamento. O que chama mais atenção é que, apesar de se tratar de obra de ficção, o filme se baseia na realidade e seu ápice – o julgamento na Suprema Corte Americana – de fato ocorreu.
A briga que ensejou a judicialização foi travada com um pastor evangélico chamado Jerry Falwell, que utilizava suas pregações televisionadas para destratar Larry Flynt e sua revista. Como reação, a revista de Larry Flynt, denominada Hustler, publicou uma entrevista fictícia com o pastor. O título já chama atenção: “Jerry Falwell talks about his first time” ou, em tradução livre “Jerry Falwell fala sobre sua primeira vez”. Tratava-se de uma peça ofensiva no entender de uns, engraçada no entender de outros. Para que o leitor possa fazer seu próprio juízo, a seguir traduzo livremente perguntas e respostas retiradas diretamente da página da revista reproduzida na internet.
Eis a entrevista:
“Falwell: minha primeira vez foi em um banheiro externo de uma casa em Lynchburg, Virginia.
Entrevistador: Não era muito apertado?
Falwell: Não depois que eu chutei a cabra para fora.
Entrevistador: Você tem que me contar tudo sobre isso.
Falwell: Eu nunca pensei em fazer com minha mãe, mas depois que os caras da cidade tiveram uma ótima experiência com ela eu pensei, que se dane!
Entrevistador: Mas sua mãe? Isso não é constrangedor?
Falwell: Acho que não. A aparência não me importa muito em uma pessoa.
Entrevistador: Continue.
Falwell: Bem, nós estávamos completamente bêbados de uma mistura de Campari, Ginger Ale e soda chamada Fogo e Enxofre. E mamãe parecia mais bonita que uma prostituta batista com uma nota de 100 dólares.
Entrevistador: Campari e sua mãe? Dentro de um banheiro? Interessante!
Falwell: O Campari estava ótimo, mas mamãe desmaiou antes de eu gozar.
Entrevistador: Você experimentou de novo?
Falwell: Claro, muitas vezes. Mas não no banheiro. Além de mamãe e das fezes, as moscas eram difícil de aturar.
Entrevistador: Estava me referindo ao Campari.
Falwell: Ah, sim. Eu sempre tomo uns tragos antes de subir no púlpito. Eu não poderia falar aquele tanto de besteira sóbrio, você poderia?”
Por considerar sensivelmente degradante o teor da publicação, o pastor Falwell pediu que a justiça americana lhe reconhecesse o direito a uma indenização pelo sofrimento emocional ocasionado pela entrevista acima transcrita. Larry Flynt se defendeu no processo afirmando que se tratava de uma paródia, que o pastor era uma pessoa pública, sujeita a esse tipo de sátira, e que a primeira emenda da Constituição Americana lhe assegurava ampla liberdade de expressão. As primeiras instâncias julgaram a favor do pastor e condenaram Larry Flynt ao pagamento de vultosa indenização. Contudo, a Suprema Corte, que julgou o caso em definitivo, considerou não ser passível de reconhecimento judicial o sofrimento meramente decorrente de uma paródia.
A posição da justiça americana é no sentido de que especialmente pessoas públicas não têm o direito de receber indenização de qualquer natureza em face da divulgação de uma crítica pública, ainda que esta crítica seja de gosto duvidoso. Em outras palavras, um discurso público e satírico não poderia ser considerado ofensivo a ponto de ensejar o pagamento de uma indenização, por força do direito à liberdade de expressão, garantido pela primeira emenda da constituição estadunidense.
Para os americanos, no final das contas, a pessoa não sofre dano de natureza extrapatrimonial quando é caricaturada, mesmo que a peça de ficção seja ofensiva ao nível daquela transcrita acima.
Importante ressaltar que, no sistema norte americano de direito, o precedente da Suprema Corte tem efeitos erga omnes, ou seja, deve ser obrigatoriamente observado por todo sistema judiciário, o que ressalta sobremaneira a importância da decisão e, porque não dizer, da batalha épica de Larry Flynt.
Para o judiciário brasileiro, ao contrário, o humor tem limites bem estabelecidos. Quando confrontados os direitos da livre expressão e da imagem de pessoas, mesmo públicas, é possível avaliar a preponderância de um sobre o outro. Em outras palavras, a justiça brasileira pode atuar como um aferidor do que é simplesmente engraçado e do que é ofensivo. E, por aqui, o caso do humorista Danilo Gentili mostra que as pessoas podem ser presas por suas palavras, consequência muito mais gravosa do que a mera condenação ao pagamento de indenização.
Não poderia finalizar esse texto sem dizer que me agrada a posição norte-americana em comparação com a brasileira. Entendo que o judiciário não pode nem deve avaliar o humor, que pode ser de muito mau gosto, mas continua sendo humor. Me apetece o seguinte pensamento: “A fala é poderosa. Pode agitar as pessoas para a ação, mover as lágrimas de alegria e tristeza, e (…) infligir grande dor. Sobre os fatos diante de nós, não podemos reagir a essa dor, punindo o orador. Como nação nós escolhemos um caminho diferente – proteger até mesmo discurso dolorosos sobre questões públicas para garantir que nós não sufoquemos o debate público”. (Snyder v. Phelps).
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A sentença que condenou Danilo Gentili a pena de seis meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de injúria, proferida na quarta-feira da semana passada pelo juízo da 5ª Vara Federal Criminal de São Paulo, ganhou grande repercussão nas redes sociais e meios de comunicação. Alguns manifestaram apoio à condenação, enquanto outros entenderam que seria uma afronta à liberdade de expressão.
Não vejo a sentença como uma afronta à liberdade de expressão. A liberdade de expressão consiste na liberdade em expressar pensamentos, opiniões etc. Além disso, é um direito constitucional previsto pelo art. 5º, IV da Constituição Federal:
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...) IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato.
Porém, como todos os outros direitos, não é um direito absoluto. Não há como defender que aquele que injuria, calunia e difama está apenas utilizando o seu direito de expressão. É perfeitamente possível expressar as suas ideias sem atingir a honra do outro.
O próprio texto constitucional, ao garantir a livre manifestação de pensamento, mas vedando o anonimato, reconhece a existência dos limites da liberdade de expressão. O ser humano que vive em sociedade deve ser responsável pelas suas palavras. Justamente por esse motivo, não pode ser acobertado pelo anonimato.
Danilo Gentili sabe bem disso. A prova é tanta que ele já processou ao menos quatro pessoas por crimes contra a honra. O que vale para um, vale para todos. A conduta de defender a liberdade de expressão irrestrita e processar outros pelos mesmos motivos, é, no mínimo, hipócrita.
Porém, devo esclarecer que sou totalmente favorável à descriminalização dos crimes contra à honra. O princípio da ultima ratio é completamente incompatível com os referidos crimes. Além disso, acredito que o Direito Civil confere um tratamento mais adequado à questão, a partir da ótica do dano moral e da necessidade de reparação de danos. Onde o Direito Civil consegue atuar de modo eficaz, não há motivo para convocar também o Direito Penal.
Sofrer uma condenação criminal gera consequências muito graves, as quais extrapolam a própria pena. Não me parece razoável que uma fala possa gerar esse tipo de consequência. Ademais, acredito que uma indenização proporcional, levando-se em conta o dano causado e a condição econômica, é muito mais eficiente para reprimir a ação do que a pena de prisão ou restritiva de direitos.
Outro ponto que deve ser mencionado é que, muito provavelmente, a sentença vai ser reformada. A avaliação das circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal foi feita de forma extremamente controversa e muito rara na prática forense.
Foi devido à valoração negativa dessas circunstâncias (7 das 8 circunstâncias foram valoradas negativamente) que a substituição da pena privativa de liberdade por pena de multa ou por restritiva de direitos não foi concedida. Então, muito provavelmente, Danilo Gentili não será preso. O efeito real da sentença provavelmente será apenas de impulsionar a carreira do comediante e não recolhê-lo ao cárcere.
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Humoristas saem em defesa de Danilo Gentili após condenação por injúria



aqui uns vídeos

https://www.youtube.com/watch?v=QbGEqbR6nSI

A condenação de Danilo Gentili está certa? | Papo Rápido | Papo de Segunda


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